flash popups: whY?

já falei sobre as maditas janelinhas popup da internet. desde as antigas até as atuais em flash, todas são incrivelmente irritantes, insidiosas, omnipresentes

raros, raríssimos são os websites em que essas merdas dessas ferramentas de venda do capeta não existem… isso sem falar nos produtos anunciados: quanta merda…

tenho um amigo, o nóia, que me indicou recentemente o mundo canibal. bem divertido. esse vídeo é o que remeteu ao blog aqui:

making it up

o post de ontem foi terrível: mal humorado, bêbado, ácido, agressivo…

hoje mandei emails e mensagens de textos pras pessoas que eu gosto pedindo desculpas… sim, além do post aqui no blog mandei um monte de emails… isso sem falar na minha amiga querida que me aguentou por quase uma hora ininterrupta chorando e dizendo a ela o quanto a amo… havia motivo…

eu sou foda…

pra recompensá-los, olha que doce:

adoro crianças cantando

enfim

espalho amor……

fun _classical fun

ouço blossom dearie enquanto escrevo isso. gosto muito. esse jazz das antigas é bom demais. dave brubeck quartet é uma redundância das maiores, common place. sorry. j’aime aussi d’autres choses, croyez-moi:

algum dos meus leitores, por acaso, conhece vince guaraldi? terje rypdal, manu katché, jan garbarek?

henry mancini, egberto gismonti, charlie parker, cole porter, pat metheny, et al. são fáceis demais e não entram nesse boast about sem fim… (reparou que eu usei a oxford comma?) privo-me de incluir os links. me sinto um papagaio falando isso é bom isso é bom isso é bom…

pensar com calma em o que eventualmente recomendaria dá trabalho demais – coisa de que nunca gostei muito, a não ser quando inexoravelmente imprescindível. faça sua própria pesquisa: gosto é que nem cú…

…e pra quê tudo isso? pasme! por causa de um vídeo que eu vi do “i love lucy”, em que aparece a tallulah bankhead:

coisas da adolescência. memórias deliciosamente adolescentes que ficaram e nunca, jamais devem ir embora…

mas, voltando ao assunto da música, jamais colocarei esse tipo de música como toque do meu celular (anymore…). foi engraçado em 97, 98, quando era novidade usar esses tipos de arquivos diferentes. a partir de 2001, usar o até então arquivo ΜΠ³ como “a coisa mais diferente e maravilhosa do mundo” deixou de ter graça… em geral

hoje em dia, “hip people” ainda colocam coisinhas engraçadas como toque do celular… fico im-pre-ssio-nadomesmo, ao ver gente inteliformada colocando funk como toque do celular… sempre quando ouço a bourgeoisie, gente de classe pra lá de média brincando de “vai cachorra”, penso que essa gente é doente, já que o celular custou 3 vezes o orçamente da gente que elaborou o funk… (quando não envolvidas com drogas, claro…)

mesmo a blossom, no vídeo acima… não é exatamente a mesma coisa mas… que fascimo é esse?

oi! você piscou o perto da gravação desse vídeo, e agora o mussolini vai te arrebentar, te prender, cobrar royalties… “no pictures are allowed in here”…? com o dedo em riste!

quase deixei de gostar dela… ainda bem que ela já morreu, senão ela vinha bater na minha porta… será que ela aparece em sonho? tô fudido, a não ser que ela venha pra cantar…

coisas de uma outra época. passado. imagine essa mulher lidando com downloads infinitos de música, vídeo, foto..

voltando aos toque de celular… o que tá me incomodando: a não ser que faça parte de uma comunidade verdadeira na favela, ou no maranhão, ou no piauí, alagoas, bahia…, passando por todo tipo de necessidade material, comidal, ou experimentando música e poesia como maneira de fuga da realidade, fuga da realidade REAL (me perdoe se isso parece fascista), tudo isso é artificial, ridiculamente artificial; feio, besta, “sou rico-e-tenho-conforto-material-mas-quero-proclamar-que-me-importo-com-os-pobres-MUITO-à-distância-MUITO-MUITO-à-distância”, kinddah ringtone

…de repente você está no meio de uma reunião com a elite pensadora, pesquisadores especializados, com anos de estudos antropológicos, técnicos, sociológicos… gente supostamente preocupada com a fina seleção de gostos através dos séculos, cultura lato sensu, throughout anos de dedicação, e alguém deixa escapar um toque de celular como, “vai cachorra, au-au, me bate… só um tapinha não dói…”

pra mim, o fim

…mas nessas horas, se alguém des-traiu, o bom-tom reza que a gente deve sorrir e… sei lá…

soltar um peidão bem alto? um arroto?

pppppprrrrrprrprrprpprprrrrpszszspzpzszzzsssssssss?

amém?

la poésie partout n’importe où

esse cara, o jarbas agnelli, viu poesia em pássaros pousados em fios de eletricidade – coisas que só existem em cidades grandes de países de terceiro mundo ou em cidades muitos muito pequenas e bem afastadas de centros urbanos em países do dito primeiro mundo

até os 3 minutos do vídeo ele explica como e porquê. interessante

daí em diante, música e sensibilidade de primeira. hiper criativo. adoro admirar (e invejar) a criatividade alheia:

 

rilke comforts me

uma pessoa interessada em meu bem-estar psíquico me recomendou rilke, mais especificamente a poesia de rainer maria rilke. comprei as elegias de duíno. li tudo em duas semanas, regurgitando trechos para processar melhor. vou continuar lendo rilke. as elegias serão minhas companheiras tanto quanto a poesia do manuel bandeira. gostei bastante da profundidade espiritual das reflexões dele. estou ávido para comprar outras coisas, como o sonetos a orfeu e o cartas a um jovem poeta

rilke (1875-1926)

ler a poesia do rilke faz um monte de luzes se acenderem no cérebro, muitas vezes com a identificação plena e a certeza de que ele descobriu, 100+ anos antes, tudo o que está na minha cabeça, no meu desconsolo com o mundo, dentro do meu mundo psíquico. só que muito mais bem elaborado:

Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo Anjo é terrível.
E eu me contenho, pois, e reprimo o apelo
do meu soluço obscuro. Ai, quem nos poderia
valer? Nem anjos, nem homens
e o intuito animal logo adverte
que para nós não há amparo
neste mundo definido. Resta-nos, quem sabe,
a árvore de alguma colina, que podemos rever
cada dia; resta-nos a rua de ontem
e o apego cotidiano de algum hábito
que se afeiçoou a nós e permaneceu.
(…)
Primeira Elegia

_

o rilke aparece como lampejos em vários poemas do bandeira, como em “a vida / não vale a pena e a dor de ser vivida. / os corpos se entendem mas as almas não. / a única coisa a fazer é tocar um tango argentino.” (antologia), ou em “chora de manso e no íntimo… procura / curtir sem queixa o mal que te crucia: / o mundo é sem piedade e até riria / da tua inconsolável amargura.” (renúncia)

quando se lê a poesia do rilke percebe-se como ela é profunda, como ela toca lá no âmago, no núcleo transcedental do eu. ao mesmo tempo, ela eleva à exosfera, às altitudes sublimes do raciocínio. quer ver?

Não, não mais buscar: que seja esta, voz da madurez,
a essência do teu grito. Gritaste, em verdade,
com a pureza do pássaro, quando erguido pela estação
que ascende, quase esquece que é um ser desamparado,
coração solitário lançado às alturas, na intimidade
do céu. Como ele, buscavas a amiga invisível
que te pressentisse, a silenciosa em que uma resposta
desperta, lenta, e se esquece ao ser ouvida – a companheira
ardente do teu sentimento exasperado.
(…)
Anjo, mesmo que te aliciasse não virias, pois meu
apelo é sempre denso de repulsa; que podes tu
contra a caudal do meu horror? Um braço estendido
é meu chamado. E a mão que ávida se espalma
para o alto fica diante de ti, ó Inapreensível,
como defesa e advertência,
amplamente aberta!
(…)
Sétima Elegia

_

algumas coisas tem a capacidade de me transformar em fã imediato. isso vale para amigos, autores, poemas, professores. o expressionismo da poesia do rilke é uma delas

estes poemas foram traduzidos dos originais em alemão pela dora ferreira da silva. pra encerrar:

“quem desconhece a angustiosa espera diante do palco sombrio do próprio coração? Olhai: ergue-se o pano sobre o cenário de um adeus.” (Quarta Elegia)

demais

_

toujours sur la mort

dando continuidade a um certo estado de espírito mórbido (depois do gunther von hagens), menos por fase que por afinidade, ainda e essencialmente ligado à arte, vou tanger o tema da escultura do kris kuksi, a saber, religiosidade, morte, guerra; tudo permeado de uma pegada muito bem humorada, uma comicidade nos detalhes, na mistura de materiais, na interpenetração de temas

nossa, me senti “o” crítico de arte agora… cada palavra bunita…

melhor que falar, analisar e fingir entender, mostrar. treine sua própria percepção. no site dele (clique no nome dele acima), é possível dar zoom e ver muitos, muitos detalhes interessantes (clique nas imagens abaixo para aumentar o tamanho):

kris kuksi _the palace of hedonism

kris kuksi _the palace of hedonism detail

kris kuksi _the palace of hedonism detail

no site dele tem muita coisa bacana pra ver. coisa de quem tem tempo pra matar, claro… não é à toa que eu escolhi justamente essa escultura pra por no blog. repare no nome dela…

ainda no ambiente da arte, só que além do tema da morte, gosto bastante da pintura realista cotidiana americana, especificamente a do edward hopper. não deixa de ter uma certa similaridade com a morte, já que o tema dele é a solidão, o vazio, o silêncio

dentre todos os quadros dele, um dos meus preferidos é esse aqui:

edward hopper _sun in an empty room (1963)

gosto especialmente por causa do sol, apesar do vazio, do silêncio, da solidão…

que contraste gostoso com o kris kuksi ou com o gunther von hagens, né?

do hopper, também adoro a luminosidade e as cores vivas nessa rua aqui:

edward hopper _early sunday morning (1930)

que mais orbita minha cabeça ultimamente? édipo rei, de sófocles (oedipo tirano, no título original em grego – OΙΔΙΠΟΥΣ ΤΥΡΑΝΝΟΣ), mito e tragédia na grécia antiga, um livro do jean-pierre vernant & pierre vidal-naquet, pra entender melhor o édipo tirano, além de continuar lendo o mundo, do schopenhauer

tudo muito agradável

como eu sempre digo: aprender é mais gostoso do que saber…

_

la mort, l’art

eu me fascino pela morte: por medo, pela sedução

no primeiro caso, morro de medo de perder as pessoas de que gosto. sua ausência será terrível; a saudade, mortal

no segundo, gosto de pensar na minha própria morte e, ao contrário do senso comum, gostaria de encontrá-la hoje, agora. je suis un inadapté à la vie

click to go to site

i'm a fan-at-first-sight of gunther von hagens

a morte é um grande alívio; a vida é esquisita e desde sempre a humanidade se preocupa em como preencher a existência. horácio pôs em poesia pela primeira vez o conceito do carpe diem, colha o dia, carpe diem quam minime credula postero, pensar no futuro o mínimo possível. como bom hedonista que sou, adoto essa idéia como lema de vida. odeio fazer coisas de que não gosto: uma chatice. e quase tudo na vida é chato, muito chato. talvez por essa condição – achar que quase tudo na vida é chato -, me interesso tanto pela minha morte – e pela morte dos outros também

mas… eu, só? não… todomundo, todo-mundo, se interessa e se fascina pela morte. na poesia, na literatura, nos filmes, na pintura, na escultura: a morte na arte é onipresente.

é parecido com a força da natureza. pense em como a gente se fascina com o poder do inevitável: uma tempestade é encantadora; o mar revolto, tão sedutor; um vulcão em erupção; um meteoro destruidor. a gente adora. morte e vida se articulando… vida… morte… o que é bom, afinal?

além de horácio, outros poetas pensaram na desgraça de estar vivo, na estupidez sem sentido da vida: a sequência de bestialidades que a gente é obrigado a cometer para comer… alceu de mitileno, amante de safo, é um deles, e eu me identifico muito com ele; eu e baudelaire: bebamos!

“beba pra afastar suas tristeza, beba porque a vida é curta, beba pra se aquecer no inverno…”

baudelaire tem um poema que chama enivrez-vous, “fique bêbado; sempre! de quê? vinho, poesia, virtude, sei lá; mas fique bêbado! pra não sentir o fardo horrível do tempo esmagar seus ombros, te moer na terra adentro… pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro… a tudo o que passa, tudo o que geme: que horas são?

- hora de beber! não seja escravo do tempo: fique bêbado! de que? vinho, virtude, poesia, sei lá.” (trechos traduzidos e misturados por mim)

mais do que achar sentido, fugir! não é? acho que é… a fuga é mais gostosa, muito mais gostosa do que buscar sentido. tanto quanto aprender é mais gostoso do que ter conhecimento

esse cara, o gunther von hagens, criou uma exposição muito interessante. ele desenvolveu uma técnica de plastinação de corpos, algo de uma certa maneira parecida com o que damien hirst faz, mas, os sujeitos da arte dele doam seus corpos para a arte, para a instrução humana. ele retira a gordura, preserva os tecidos humanos e depois dispõe as pessoas em poses artísticas; objetos da morte… muita gente reclama, e eu acho que essas pessoas tem um grave problema mental… olha que lindo isso:

two bodies intertwined

eu acho incrível e admirável que algumas pessoas deixem em testamento a ordem (bequeath) para que seus corpos sejam doados, após a morte. seja para o aproveitamento de órgãos, seja para a arte

o que será do meu corpo quando eu morrer? puta merda! se virar arte e for parar num museu… já pensou? instruir a humanidade: olha o que acontece com o intestino e o fígado quando se bebe demais; olha o pulmão de um ex(?) fumante; as consequências de morar numa grande e POLUIDÍSSIMA cidade… olha os rins… olha o pinto dele como era grande………. deu pra fazer uma viga de sustentação pro teto da exposição… : )

outras pessoas antes já trataram da morte através da arte, gente do calibre de géricault com seu le radeau de la méduse (1819), barco em que as pessoas tiveram que comer um ou outro para sobreviver… yummy… dizem que a carne é adocicada… esse quadro é tido como a melhor alegoria para a instabilidade, a efemeridade, a estupidez da vida e a impotência do ser humano diante dela

a balsa da medusa... hua hua hua... terror a bordo... morte transformada em arte

o meu pinto, na verdade, ia dar pra fazer dois ou três hambúrgueres, quando muito… carne dura, if you know what i mean… das 147 pessoas no barco, as 15 sobreviventes se abastariam…

gosto muito da pintura do romantismo, essa pintura de boêmios com alma atribulada e extremamente sensível pra miséria do mundo. goya é demais. delacroix também. as cores, a atmosfera… tudo envolto na bruma da morte, presente no ar como o odor de um frasco destampado. baudelaire

de profundis clamavi (salmo recitado para os mortos) “imploro-te piedade, a ti, razão de amor, do fundo abismo onde minha alma jaz sepulta”

Caspar David Friedrich

uma jornalista (beate lakotta) e um fotógrafo (walter schels) da alemanha levaram a arte da morte a um patamar que me fez perder o chão. eles entrevistaram e retrataram pessoas com doenças em estágio terminal – vai morrer hoje? amanhã? quem sabe…? veja a reportagem no britânico guardian (in english). aqui tem o site com as fotos da exposição. antes que você clique, um aviso: as fotos retratam pessoas vivas, dispostas a falar sobre suas doenças terminais, e depois; mortas. é lindo. a morte é linda… a exposição dói – eu choro sem parar, mesmo sendo sobre pessoas que eu não conheço… esse tipo de arte é muito forte… e ao mesmo tempo, lindo demais… sou eu? é você? somos todos ali

eu choro. você também?

a exposição: life before death

afinal, lidar com a morte ajuda a gente a viver melhor? hum… sei não

mas é nossa única certeza

a morte é gostosa

mas é tabu

_

jactância, bazófia, vaidade

gosto dos textos do millôr

adoraria escrever gostoso assim; mas foi ele quem primeiro pôs esses pensamentos em evidência… achei na coluna dele na veja, baseado no texto do conde que virou, inclusive, nome de rua na vila mariana (afonso celso)

amá-lo-hei

:

Por que me ufano!

“editado em 1900, ‘porque me ufano do meu país’, do conde de afonso celso, foi traduzido em doze línguas, vendeu zilhões e criou o sentimento do ufanismo. quer dizer, antecipou o dito de nelson rodrigues: ‘toda unanimidade é burra’. é só ver show com 1 milhão de assistentes, jornal nacional destinado a 30 milhões de espectadores, discurso de candidato político visando a 50 milhões de eleitores

nos anos 60 escrevi peça usando o título ‘porque me ufano do meu país’, gozação evidente. a censura proibiu, por não perceber a gozação. ou por perceber, sei lá

o livro é mais fantástico até do que o brejal dos guajas, do sarney

predador fdp: não custa lembrar, o maranhão continua sendo um dos "top 5" mais pobres do brasil

[a imagem acima quem pôs fui eu: escolha pessoal minha, não do millôr ...continuando com o livro do afonso celso, em comentário do millôr...]

_

tem epígrafe em inglês: ‘right or wrong, my country’. o conde é supernacionalista, mas não resiste ao gringo. que não traduz. e não diz, ou não sabe, quem é. eu sei

o gringo é stephen decatur, herói leatherneck, fuzileiro naval americano. traduzo: ‘certa ou errada, minha pátria’. g.k. chesterton comentava: “é o mesmo que dizer – ‘minha mãe, sóbria ou bêbada‘”

reproduzo aqui trechos do livro, com o nobre intuito de iluminar vosso ufanismo:

  • quando disserdes “somos brasileiros!”, levantai a cabeça, transbordantes de nobre ufania. deveis agradecer todo dia a deus o haver ele vos outorgado por berço o brasil
  • a flora brasileira é maravilhosamente rica, dado aí se juntarem todas as flores e frutas do universo
  • negros, brancos, peles-vermelhas, mestiços, vivem aqui em abundância e paz
  • as matas brasileiras são tão compactas que se lhes poderia caminhar por cima
  • notabiliza-se ainda a floresta brasileira pela ausência relativa de animais ferozes
  • os pampas do sul, pátria do tufão, são atravessados por armentos de poldros indômitos, têm jardins incomparáveis, flora opulenta, fauna inestimável – aves que não emigram, de bem que se acham onde nasceram
  • abundam em várias regiões do país minas de ouro e jazidas de diamantes. algumas regiões chamam-se, com propriedade, ouro-branco, ouro-preto, ouro-fino, diamantina
  • em certas regiões até a poeira dos caminhos é aurífera
  • em alguns pés, em mato grosso, as laranjas, já muito doces, quando murcham nos galhos reamadurecem dulcíssimas. verdadeira ressurreição
  • ao lavrador é fácil retirar da terra tudo quanto precise, exceto sal, de que, aliás, se encontram no brasil grandes jazidas
  • quase todas as culturas dão duas colheitas anuais
  • em seu subsolo, solo, ares, selvas, águas, está tudo. poderia, se quisesse, erguer em torno de suas fronteiras a muralha da china
  • ninguém, querendo trabalhar, morrerá de fome. parece país de milionários, tão largamente se gasta
  • feridas e amputações cicatrizam mais depressa do que nos hospitais do velho mundo
  • as florestas têm poucos animais ferozes. os que existem limitam-se a defender-se, fazendo escassas vítimas
  • no amazonas se conhecem albinos que entretêm grande familiaridade com animais. as onças aí são inofensivas. serpentes gigantescas guardam as cabanas
  • entre nós há tolerância e ausência de preconceitos de raça, religião, ou posição, decaindo mesmo em promiscuidade
  • o brasileiro, em última análise, passa os dias mais felizes do que o alemão, o francês, o inglês, dias mais serenos, mais risonhos, mais esperançosos
  • quase todos os homens políticos brasileiros legam à miséria as suas famílias. qual o que já se locupletassem à custa do benefício público?”

_

diliça…

..e tantos ainda acreditam/reproduzem a estupidez…

que a ignorância, como contra-exemplo, sirva de mola propulsora à inteligência, à crítica, ao esclarecimento…

o brasil é um país tão cheio de coisas boas…

verry good countrry - pronuncie como um estrangeiro, babando... ávido por extrair lucro

eu não moraria em nenhum outro país… serei eu um Homophrosyne com o bobo do afonso celso? (homophrosyne – união de coração e mente, dentro de uma amizade ou matrimônio) -adoro grego e cultura helenística

só pra constar, os estados mais analfabetos = + pobres do brasil são, por todos os critérios imagináveis:

1.alagoas, 2.piauí, 3.paraíba, 4.maranhão, 5.bahia…

diliça… dá-lhe academia brasileira de letras!

_

löwendenkmal

hoje fiz prova de teoria literária. para relaxar, almocei, dormi e depois comecei a ler coisas em inglês, até chegar a mark twain. que delícia ler o texto desse homem: é incrivelmente bem escrito e por isso incomensuravelmente gostoso de ler. ele escreve de um jeito engraçado, com muito talento, fazendo a gente rir às vezes do começo ao fim da história

o livro que eu tava lendo chama “a tramp abroad” e pode ser colocado no gênero de literatura de viagem. twain narra suas peripécias pela europa com um amigo (harris), fazendo um monte de palhaçada. em um determinado ponto ele descreve o leão de lucerna

löwendenkmal - monumento leão

estátuas de leão são sempre bonitas, mas essa realmente impressiona. a escultura representa um leão morrendo, escondido numa reentrância da rocha. o monumento é uma homenagem aos guardas suiços que morreram defendendo luis xvi, louis le dernier, durante uma das insurreições da revolução francesa. o leão está deitado sobre um escudo com a fleur-de-lis, ferido por uma lança. em cima do leão está escrito helvetiorum fidei ac virtuti – à lealdade e coragem dos suíços. o escultor se chama bertel thorvaldsen

uma bonita alegoria para o fim da monarquia na frança

_

mark twain tem muitas outras histórias, entre romances e contos, a maioria divertidíssima. pudd’nhead wilson (wilson cabeça de pudim… hehe), how to tell a story, adam’s diary, the awful german language… tudo muito bom: o melhor remédio pra dor de cabeça, ressaca, cansaço de prova, fim de caso e mau humor

;-)

le monde est sens dessus dessous

uma certa atriz nos estados unidos foi proibida de consumir álcool (!). um dispositivo em seu corpo monitora o consumo eventual da pepita líquida e notificará imediatamente as autoridades para que a criminosa seja peremptoriamente presa

fico consternado de ver como a história da humanidade é cíclica: lei seca, letra escarlate, fogueira… coisas que se repetem tempo-aqui, tempo-ali; sempre há algum idiota tentando moralizar o comportamento das pessoas em um certo grupo

e de que grupo está-se falando? atores em hollywood. hum… sei… atores nos estados unidos da américa não poderão mais beber?… (precedente, precedente…)

o mundo é tão de ponta-cabeça…

não seria mais fácil proibir todas as substâncias que deixam a gente alegre, às vezes bobo, muitas vezes arrependidos das coisas que fizemos e de que nos lembramos no dia seguinte? na categoria “todas” entra tudo, sem exceção: álcool, maconha, cocaína, heroína, macdonalds, crack, coca-cola, ketamina… (as drogas nesta lista não estão ordenadas por ordem de prejuízo causado ao próprio corpo ou à comunidade…)

que estupidez que estupidez que estupidez…

tudo isso

agora, sabe o que mais me irrita? as coisas que a imprensa leva a gente a pensar e a debater…

quem se importa se a fulana vai ser presa? eu, com certeza, não. se ela é louca, bebe até cair, bate o carro e eventualmente mata alguém, é problema dela e dos envolvidos.

e por que a imprensa me faz pensar sobre isso, mesmo quando ela mata alguém?

me preocupar com o consumo alcoólico de atores hollywoodianos, e querer debater o assunto? que raiva! tanta coisa útil pra divulgar…

mas, cabe a pergunta: por que quem vende não é incriminado e penalizado junto? e por que o consumo é, aliás, incentivado?? muita grana envolvida? não sei… serei eu o último ingênuo?? ô mundo lôco! será que isso tem alguma coisa a ver com o fato de as empresas serem consideradas “pessoas”? êita estratégia jurídica para a impunidade…

só pode incriminar plantador de maconha ou vendedor de cocaína?? o álcool, por acaso, pertence a uma categoria mais benéfica de droga??? ???

yes... I zrink... WHO ZUSNUT ??

ou libera tudo e o maldito estadocontrato social - monitora excessos, ou não enche o meu saco!

gosto de liberdade: se álcool pode, tudo pode!!! !!!

e tenho dito

_

ταυρομαχία

tauromaquia. corrida de toros. espetáculo em que habilidoso el matador leva lenta e dolorosamente à morte um animal que devia estar pastando e fazendo, sei lá, as coisas que os touros normalmente fazem

esse espetáculo remonta ao culto pré-histórico do boi como entidade divina sacrificada, e aos gladiadores de roma que se divertiam matando não só touros e outros bichos, mas também uns aos outros

estado de natureza em estado bruto. nada mais natural que o estado das coisas chegue a isso:

bem feito

acho ótimo. repare que o animal sangra em profusão por causa das banderillas cravadas em seu corpo (6 normalmente). o outro animal deve ter sangrado bastante também. olha que legal a descrição do que aconteceu: “[o chifre entrou] na região submandibular com uma trajetória ascendente que penetra até a cavidade bucal, atravessa a língua, sobe ao céu da boca, com fratura do maxilar superior.” (folhaonline)

tenho desenvolvido um gosto mórbido (vingança?) por descrições técnicas minuciosas desse tipo. gosto tanto quanto o prelúdio ao livro do françois forestier, “marilyn & jfk”. leia um trecho no site da veja: leia mesmo!

e pra quê tourada? tudo muito cretino. ser humano estupidamente absurdo. o objetivo final é esse:

rigor mortis

no brasil tinha também. getúlio proibiu em 34, junto com rinha de galo, outra estupidez. a única instância da tourada que eu aprecio é no poema do joão cabral de melo neto, “alguns toureiros”, por causa das peculiaridades próprias à poesia

(…)

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra
o da figura de lenha
lenha seca de caatinga,

o que melhor calculava
o fluido aceiro da vida,
o que com mais precisão
roçava a morte em sua fímbria,

o que à tragédia deu número,
à vertigem, geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida
,

(…)

muitos pintores retrataram a tourada; eu gosto desse quadro do manet:

toter torero

assim é melhor (pela arte ou pelo lado da morte…?)

.

siren

odeio sirene de fábrica

uma forma de acabrestar os funcionários que se sujeitam a ser controlados como bicho, como se fossem incapazes de saber a hora de entrar, almoçar, ir embora. será que peão de fábrica é burro assim? mesmo que seja, as fábricas, curral de boiada, não têm o direito de gritar prolongadamente no bairro em que cravam garras: incomoda demais

o homem é tratado como se fosse máquina: controle minucioso do comportamento e da performance. dois filmes mostram isso lindamente: metropolis, do fritz lang, e tempos modernos, do charles chaplin

essa cena é linda! incrivelmente sensível...

turba em marcha: trabalhadores indo/vindo do subterrâneo…

apertando parafusos sem parar - que alegoria!

muita gente acha o tempos modernos engraçado, mas se você refletir um pouco, é angustiante. lembra quando o chaplin sai da fábrica? ele não consegue parar de apertar parafuso… a gente ri quando ele aperta os botões do vestido da moça… mas fica um nó na garganta: no fundo a gente sabe que tem muita coisa errada nisso

na hora do almoço uma máquina entuxa comida na boca dele. lembra? pra cortar custos, extinguir a hora do almoço e aumentar a produtividade…

a gente ri, né? mas que crítica! (se quiser clique na foto pra aumentar)

essa cena dele “comendo” me lembra um poema do drummond. como esse homem era sensível pra notar as idiossincrasias do progresso… ele tem mais de um poema sobre os tempos “modernos”. vou por aqui três estrofes. se gostar, vá atrás: esse poema é bom demais: drummond – nosso tempo (c. 1945)

Este é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
(…)
Escuta a hora formidável do almoço
na cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.
As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortas vitaminosas.
Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!
Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,
olhos líquidos de cão através do vidro devoram teu osso.
Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, é tempo de comida,
mais tarde será o de amor.
Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios, forma indecisa, evoluem.
(…)
O poeta
declina de toda responsabilidade
na marcha do mundo capitalista
e com suas palavras, intuições, símbolos  e outras armas
promete ajudar
a destruí-lo
como uma pedreira, uma floresta,
um verme.

_

a fábrica aqui do lado do prédio urra (sempre dez minutos antes e então na hora cheia). 6:50, 7:00; 8:50, 9:00; 11:50, 12:00; 12:50, 13:00… tem uma sirene à tarde, mas eu quase nunca ouço, e finalmente 16:50, 17:00. sábados, domingos e feriados. quanta alegria!

o dono é um turco, um daqueles com cara bem estereotipada: gordo, de bigode, meio careca, com cabelo enroladinho super oleoso, camisa aberta até o umbigo mostrando um peito peludo cheio de corrente de ouro… eu não sei muito bem o que a fábrica dele faz… nunca tem mercadoria entrando nem saindo. não tem importância

o entorno da fábrica é um nojo: sempre sujo, a grama na calçada cresce até esconder porco selvagem. as pessoas que passam de carro, talvez por achar que é terreno abandonado (teoria da janela quebrada), jogam todo tipo de lixo, que nunca é recolhido. frequentemente vejo corpo de rato morto atropelado na rua. a única vez em que as paredes foram pintadas foi quando foram erguidas, há 30 anos. e de fato tem um monte de vidro quebrado nas janelas…

foto tirada daqui de cima

dá pra ver a sujeira até nessa foto de baixa qualidade…

sei que já foram conversar com ele sobre isso. ele ignorou. imagina só se ele vai gastar dinheiro com limpeza! (olha o estereótipo em funcionamento…) o único momento em que ele se mistura com a comunidade é em época de eleição: um dos barentes dele sempre se candidata a deputado (?). não sei se se elege. não tem importância. nessas épocas todo o bairro fica cheio de papel no chão… mas acho que isso não é privilégio do meu bairro

à medida em que encerro o post, cresce a tensão, porque daqui a pouco toca de novo a maldita sirene…

_

paprika – Capsicum annuum

cada vez mais tô botando isso na minha comida: adoro o cheiro, a cor, o sabor…

quase sempre em pó... mais prátiu

omelete sopa homemade-hamburger arroz salada feijão meat pão-com-queijo…

diliça

paprika. às vezes conhecida como chili pepper, às vezes como pimetão, e suas variedades -royal embers

boa pra dispepsia (indigestão), gôta, flatulência, e até superstitio (afasta os espíritu)

podi sê vremeia, podi sê maréla… dependi dos otro tempero

é sempre bão. óia a flô:

rods & ancient world

seriam os rods, criaturas misteriosas em forma de serpente com asas, muito muito muito rápidas…

rods always appear in key locations

…o equivalente às descrições de povos antigos (maias, astecas, chineses, hindus) de deuses que vinham visitar o planeta terra?

Quetzalcoatl - a serpente alada

estarão eles voltando por algum motivo?

…adoro essas teorias…

unsettled

me questionaram do por quê (com acento e separado – primeira vez na vida, acho, uso assim), tenho abordado tanto um certo mal estar com o mundo como ele é atualmente. esse “atualmente“ precisa estar entre aspas para fazer parte do que pretendo dizer

Scott Walden – Unsettled #47 (1998)

primeiro e que fique tudo bem multiclaro: o tudo que “pretendo dizer” são coisas velhas, cansadas, pisadas e repisadas por gente que já existiu muito, muito antes de mim; ou seja, o que me faz sentir mal, muitas vezes com ânsia de vômito (novidade sentida agora na minha pele de citadino do século XXI, com as peculiaridades do meu zeitgeist), já foi debatido por gente como sócrates na grécia antiga, e pelos pensadores alemães, ingleses e franceses do iluminismo

e o quê é atual para mim e o quê me faz querer vomitar hoje? posto de forma simples, uma sensação de que as coisas não deveriam ser assim

de forma mais elaborada – prepare-se! respire fundo, como m. bandeira: …………………………………………………………………………… e ponha um tango argentino pra tocar

bem, elaboradibilidadamente, coisas todas muito entrelaçadas como o contrato social (meu deus, as cláusulas desse contrato precisam mudar! …e como faz agora? contrata um advogado??) o estado da natureza (o ser humano será sempre um bicho, se entendendo quando possível, monitorado ou não pelo estado), jean-jacques rousseau, thomas hobbes, john locke. um pouco me arrependo de ter escrito isso. primeiro porque muita gente já o disse, depois porque não li tudo o que escreveram; preciso elaborar melhor tudo isso dentro do meu mundo psíquico… e também porque essas idéias estão muito ligadas ao conforto burguês do século xviii – gente pobre, sem tempo de ler ou money pra comprar livro, portanto ignorante, por acaso se preocupa com isso tudo?

e por que falar deles então? hum… porque eles formularam teorias que me interessam, seja para compreender melhor o mundo como ele é, seja para sentir raiva, ficar inconformado, quiçá interferir pon.ti.lha.da.men.te e com muita amargura… minha interferência é microscopicamente insignificante e eu não consigo palpar nada, ‘magina, pegar a sociedade pelas rédeas e tentar mostrar uma direção melhor… a resposta está dentro do nosso espírito e eu já falei sobre isso, fazer o que é certo… isso não acontece do jeito como eu acho que deveria e isso, no fundo, dói, incomoda demais

hegel articulou o fim da história. que demais isso! é profundo e eu preciso ler muito muito muito mais pra começar a entender: hoje não sei nada ainda (estou me sentindo o próprio sócrates: scio me nihil scire). apenas inferi que ele propõe o fim dos processos históricos de mudança porque a humanidade atingiria o equilíbrio, a igualdade… haja amor pelo seu próximo! ah! isso é que dói: como isso é im-po-ssí-vel… (adoro fazer separação silábica por intuição: veja que ridículo determinar, sem vínculo com o uso corrente ou qualquer bom senso, que duas consoantes em sequência devem ser separadas… tsc tsc tsc)

hegel também fala bastante sobre o estado e a vida ética, preocupações de quem leu bastante platão, aristóteles, spinoza, kant, marx… ∞

esse cara viveu o período da revolução francesa (que queria, entre muita muita coisa, o “fim da servidão e dos direitos feudais”), e do iluminismo: uma época na história humana em que tomou lugar a supremacia da inteligência e da ciência sobre a fé e sobre o misticismo. tudo isso, marco do início da idade contemporânea. não foi nada fácil viver no século XVIII, mas como eles mudaram o futuro, mesmo sem saber de que forma mudaram. (mudanças não são possíveis hoje… ou então eu é que estou pessimista demais mesmo…)

depois de tudo isso, nós deveríamos viver em relação de liberdade, igualdade, fraternidade, bordão cunhado pelo rousseau, na época em que os princípios universais foram pensados, idealizados

Delacroix - Liberty guiding the people

e o mundo ainda gira mais ou menos da mesma forma… não há nada de novo sob o céu… depois de tanto tempo, depois de tantas gerações, tantas guerras, desentendimentos, depois de tantos pensadores inteligentíssimos, tantas tentativas de unificar; tudo igual, relativamente igual

nada mudou… nós (eu e você) continuamos reféns dos barões feudais, usurários, agiotas, donos de banco – dê o nome que quiser… é o mesmo bando de filho da puta sorvendo o líquido vital das nossas veias… chupando de canudinho… feito de platina e diamante

é isso o que me revolta! ou, posto de outra maneira: putz! eu sou super impaciente com o transcorrer da evolução da espécie… tá demorando demais pro ser humano dar um salto qualitativo, seja como for…

isso é o que me deixa inquieto, inconformado, muitas vezes bem amargurado, porque entendi que não há nada que eu possa fazer: a resistência sempre será maior que meu parco, e agora desconsolado, esforço

o ser humano é um bicho maldito, verme miserável, vírus detestável na crosta do planeta…

que venha nibiru

_

i hate carrefour

odeio megastores em geral, ultra-impessoais, curral de boiada… mas o carrefour supera todas as que você consegue imaginar

boicote total! o atendimento do carrefour - surpresa! - é de lascar

no carrefour o atendimento é péssimo, se você precisa de um gerente ele não aparece nunca e, se você chamar um, eles te lançam como bolinha de pingue-pongue de um lado pra outro: vá pro caixa, agora vá pra central de atendimento, agora vá pra putaqueopariu, e você nunca encontra sequer um funcionário responsável, todos sempre falando por rádio: qap, pqp… além do que eles fazem tudo aquilo que as megaredes fazem e que a gente sempre tem medo: adulteração da validade dos alimentos, compra de produtos de sweatshops, funcionários mal remunerados, mal treinados, infelizes, compra de produtos contrabandeados… a lista é longa

que raiva que dá… mas eu devo ser muito idiota mesmo: por que continuo indo lá? vou lá pra fazer o favor de comprar nessa bosta de supermercado?

recomendo o boicote!

c.campos, m.silva, m.felinto

virei fã da cidinha campos. quero ser amigo dela e almoçar todo dia junto, vituperando contra os parasitas no poder. olha como ela é porreta, discursando na assembléia dos deputados no rj:

com a palavra, a ilustre e ilustrada deputada cidinha campos. acho engraçada essa liturgia datadíssima dos deputados, senadores etc… absolutamente desnecessária

é pra eleger, então, uma mulher presidente? proponho aqui a chapa: marina silva presidente, cidinha campos vice. marilene felinto presidente da câmara. ia adorar ver, em especial, a marina e a marilene sendo tratadas por “vossa excelência”. joga a dilma fora, na lata de lixo da história

quero gente cínica no poder. o cinismo de antístenes, não esse que você tá pensando…

“transformar o extraordinário em cotidiano” (mfelinto)

…e cuidado com o que você vê e ouve na tv:

eu achei essas duas últimas imagens no blog tudo em cima. interessante

corruption, putaria, anti-éthiques

olha só que interessante esse canal que eu achei, por vias beeem tortuosas. por que isso não é mais bem divulgado?? …haha, pergunta boba

putaria politica

obs: só clique no link (ligação, segundo um amigo…) se gosta de sentir raiva insolúvel com atos corruptos nunca punidos… raiva… sinta raiva sem poder fazer nada… é impossível lutar contra o sistema…

santo estadão, “censuradão“…

ai, meu são Kafka, dai-me consolo! que não consigo nem anular uma multa injusta por “conduzir motoneta sem capacete de segurança”… (!) justo eu, super cauteloso… ô marronzinho da cet, fdp… filho de uma puta! por que que eles estão sempre associados à punição?? NÃO DEVERIAM EDUCAR, MONITORAR, AUXILIAR??

os carros ficarão cada vez menores, do tamanho das motos

.

olha o site da CET… que bosta… ou melhor… nem olhe! vá lá se não for meu amigo…

ps: aqui tem outra lista sobre corrupção, só pra quem gosta de história…

escândalos políticos um depois do outro, década aqui, década ali… over and over and over and over and over and…

.

return to nature

hoje eu encontrei mais uma vez a filha de uma vizinha muito legal aqui do prédio. ela cansou da cidade, com sua estrutura social sufocante, esfrangalhada, de gente querendo se matar no trânsito, no trabalho, no supermercado; cansou da poluição, da sujeira, da corrupção, das iniciativas frustradas, enfim, tudo o que a gente ama odiar em são paulo.

foi morar em uma comunidade alternativa, escondida nos cafundós do judas. lá eles voltaram a viver em harmonia com pessoas que aprenderam a se respeitar e a trabalhar pelo bem estar comum. lá não tem trabalho remunerado. cada um tem uma função na comunidade: eu planto, você colhe, eu dou comida pra vaca, você tira o leite, e assim por diante.

a filha da minha vizinha é uma redatora de mão cheia. já trabalhou em jornais famosos e já foi chefe de redação de uma revista aí. chegou um dia que ela deu um basta e abraçou um estilo de vida que me deixa bastante balançado. toda vez que eu me encontro com ela eu digo: dessa vez eu vou, dessa vez eu vou… sabe o que ela faz lá? ela é uma das responsáveis pelo contato com o mundo exterior: ela escreve um jornal e visita a cidade mais próxima para ajudar alguns comerciantes a melhorar o visual de uma placa, o logo de uma loja, a redigir um documento importante. em troca ela recebe víveres, remédio, roupa, livros.

em nenhuma hipótese existe troca de moeda. isso eu acho demais. lá na comunidade ninguém paga imposto, ninguém dá satisfação pras autoridades. isso pode ser meio perigoso mas eu fecho com thoreau e sua desobediência civil. água tem em todo lugar, eletricidade é gerada por painéis solares, e tem até internet. todo o conforto que a gente precisa. cultura às vezes pega: eu gosto de teatro, museu, ópera, cinema… mas, essa amiga deu muita sorte. na comunidade dela tem muita gente interessante, pensante, culta. eles criam apresentações, visitam tribos indígenas, promovem a absorção da cultura deles – muito diferente de intercâmbio cultural, que é outra coisa – dão palestras, educam suas próprias crianças…

hoje ela me deu algumas dicas e me falou de uns blogs legais, pra eu aprender mais. olha que sensacional – essa gente preocupada com o ambiente pensa em cada coisa genial…

(clique na imagem)

vai um vegetal fresco aí?

tudo plantado em garrafa pet

não só se deu um uso para as garaffas de plástico que iriam entupir tudo quanto é rio, como criaram a possibilidade de se comer verduras frescas hidropônicas – sem pesticida etc. – mesmo se você mora em um apartamento pequeno.

olha que legal esse blog que ela recomendou (clique na imagem):

comunidade verde dentro

gente realmente preocupada com a natureza

a gente normalmente vive tão acostumado com certas idiotices modernas que nem percebe o quão somos gado para os donos do mundo. somos bicho mesmo: domados, treinados, manipulados em todos os sentidos. qualquer que seja o mecanismo usado – lavagem cerebral, mensagem subliminar, influência direta – nós somos todos uns idiotas buscando as mesmas coisas inúteis: dinheiro, carro, apartamento na praia, fazer pose em restaurante fino, glamour… nada disso preenche nossa existência aqui neste planeta. e “buscar a felicidade” é um dos conceitos vazios mais odiosos de todos os tempos: ninguém atinge esse um tal de estado de felicidade. …e olha só como isso é explorado pra vender sabonete, cerveja, gasolina, conta no banco… odioso. odioso.

eu vou. não hoje, mas vou. já acordei e não quero mais ser títere, sombra de mim mesmo

me espera?

“A maioria de nossos males é obra nossa e os evitaríamos, quase todos, conservando uma forma simples de viver, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza.”

Rousseau

posto de outra forma: será que é tarde pra me identificar com os beatniks? serei eu um novo sal paradise?

chaos

olha o que o ser humano é capaz de fazer:

nada de especial aconteceu: só um semáforo sem funcionar...

dá pra ter esperança na humanidade assim? não, não dá: é foda. preste atenção: o semáforo queimou e os animais dentro de cápsulas de aço criaram um bonito padrão de tecitura sobre o asfalto. é preciso um certo treino nas belas artes para apreciar a intricada trama…

eu sinto cada vez mais repulsa em me locomover pelo trânsito da cidade porque as pessoas não tem a menor noção de cidadania, nem respeito um pelo outro. mais, o ser humano é um bicho tão burro, mas tão burro, que não é capaz de ceder um pouco, nem que seja em benefício próprio. sua visão estratégica estende-se por 3 milímetros à frente do nariz. burro, egoísta, animalesco. e nem teve ameaça de revolta contra a população burra por parte do pcc… lembra que comparam o comportamento das pessoas a galinhas em pânico? essa imagem é do Drummond. leia. preste atenção à parte em que ele fala dos homens voltando pra casa, menos livres, levando jornais…

Drummond

A flor e a náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cizenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
.
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.
.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
.

le “nouveau” rock français

estou em uma fase intensa de ouvir música en français

a gente aqui no brasil está tão acostumado a ouvir as mesmices que a indústria musical americana entucha goela abaixo que esquece que existe música, muito BOA música, em outros países e em outras línguas

não me entenda mal: adoro música em inglês (e em português, claro), mas só recentemente descobri as maravilhas do rock em francês

as minhas mais últimas e deliciosas descobertas en français, par ordre de préférence:

1. miCkey[3d]

2. [karkwa]

3. jean leloup

4. les têtes raides

5. malajube

6. eiffel

.

jouir de ces chansons: je sais que je les aime beaucoup

os websites do karkwa e do têtes raides são MUITO legais!

se você clicar nos links numerados, vai conhecer os sites de cada banda; os dois links acima levam à wikipedia

a palavra “nouveau” no título do post está entre aspas porque essas bandas tocam há bastante tempo; eu que só as descobri recentemente…

vou colocar esses sites como homepage no meu navegador pra ficar mais atualizado:

http://www.allmusic.com/

http://pitchfork.com/

_

4 at once

hoje um amigo querido disse: nossa faz tempo que você não posta no seu blog…

cheguei em casa, reli, editei e publiquei 3 drafts que tavam guardados aqui desde antes do natal…

pra quê guardar os posts só pra mim, né?

vou ficar mais assíduo; prometo.

btw, cadê o SEU blog??

puke

os posts no meu blog tem o movimento catártico do vômito: eu sei quando quero escrever – tanto quanto sei quando preciso vomitar. muitas vezes não quero escrever, mesmo quando sei que seria bom escrever – tanto quanto sei que vomitar seria bom, especialmente quando bebi demais ou comi coisas estranhas à flora intestinal e aos movimentos peristálticos, por exemplo

passo um bom tempo sem escrever no blog – tanto quanto passo meses sem vomitar (antes que alguém imagine: não, não tenho vomitado ultimamente, nem seria isso motivo para inserir novo post em meu querido blog)

mas por que, então, tanta escatologia? por que associar o exercício da intelectualidade ao vômito? respondo, do meu jeito: porque as coisas que mais me incomodam são muito parecidas com o vômito: elas ficam dentro de mim, seje dentro do estrômbalo, seje dentro do cérbero

eu boto adentro uma porção de coisa que num devia. a maioria dessas coisa é uma dilíça quando entra, e todomundo já entendeu que na maioria das vezes é uma merda quando sai; seje merda literalmente (no âmbito físico de falar), seje em pensamento (no âmbito abstrato-subjetivo-intelectual de falar)

e daí? (gosto de dialogar com os meus leitores…) algumas coisas ficam ecoando – e esse é o poblema. como e bebo muitas coisas estranhas. física e espiritualmente. em geral tudoisso envolve arrependimento. mas a questão aqui é o que já SEI que NUNCA mais quero por adentro – seje pela goela, pelo canal auditivo, pelo nervo óptico, e, às vezes, até pelo cólon sigmóide…

é carnaval agora, e todomundo, no brasil, pelomenos, está pensando em que lugar vai sambar, gritar, beber… por que? POR QUÊ?? por quê fazer de conta que em uma semana tudo é alegria exacerbada e inconsequente e tudo pode???

(vômito)

porque a mídia assim O vende. tanto quanto o natal, tanto quanto qualquer outra festa idiota e artificial que venda, aumente a ocupação hoteleira, gere receita… e assim o mundo gira?

pense, pense, PENSE

é assim que o serumano vive? tudo bem que é uma oportunidade pra beber rir trepar vender e até incluir… mas, precisa a TV fazer uma COBERTURA ONIPRESENTE para a ser humano se soltar? (seja no natal, na quermesse, no carnaval…?) a gente – é, sempre me incluo… -, não poderia se soltar sempre e de um jeito natural?

olha a imagem que o brasil vende pro mundo: bunda cachaça putaria…

(vômito)

pra mim o carnaval e a alegria falsa têm – mui apropriadamente – esta cara:

Alfred E. Neuman RULES!!!

Alfred E. Neuman RULES!!!

alguém aí se preocupa com os inúmeros escândalos políticos? um após o outro, vezes mil por ano, todos insolventes…

natal, carnaval, corpus christi, páscoa…

tudo a mesma merda… e tudo muito cheio de hi-po-cri-sia. vamos fazer de conta que está tudo bem… ATÉ QUE PONTO??

.

recomendação do dia: leia tudo o que puder sobre desobediência civil

estou cada vez mais fazendo proselitismo das idéias do H.D. Thoreau

aqui tem um pouco: leia este texto

.

just_do_it

faça

try

essayer

você também

tente

emerson did

aristotle did

faire des choses

não adianta deixar pra amanhã – para seu próprio conforto espiritual

emerson: finish each day and be done with it. you have done what you could. some blunders and absurdities no doubt crept in; forget them as soon as you can. tomorrow is a new day; begin it well and serenely and with too high a spirit to be encumbered with your old nonsense

xmas by a grand penseur

o natal chegou. de novo… eu só sei porque vejo ruas prédios casas escolas bancos cheios de enfeites luzes bonecos neve anões

essa época do ano é muito esquisita. todomundo é coagido a sentir que precisa ser feliz. isso está profundamente incutido no cérebro, resultado de anos de lavagem cerebral pela mídia

as pessoas sentem uma urgência para consumir: querer comprar: presente comida amigo afeto

um comportamento já transformado em cultura por anos de transmissão de tradições

tudo muito artifical: neve. em um país em que a temperatura em dezembro gira ao redor de 30 graus…

além da essência comercial -o grande fulcrum do natal nas sociedades modernas-, muitas coisas ainda são ligadas à religião. ops, hein? é. re-li-gi-ão. não, sinto desapontar, mas a origem do feirado não é comercial, é religiosa. não foi inventado pra vender panetone, e sim para celebrar o nascimento de jesus. quem?

tudo muito cheio de hipocrisia. a realidade da sociedade é tão diferente do que o feriado deveria celebrar… a gente vive feito animal em selva: só o mais forte sobrevive etc., mas no natal…

veja esta foto que o meu amigo “alex” (este apelido tão americanizado foi utilizado para ocultar a verdadeira identidade pessoal humanística cadastrativa do elemento homo universalis) tirou em uma de suas inúmeras incursões entre o povo, o verdadeiro povo brasilien:

serendipitous a.

papail noel existe E está entre nós; olha só QUANTOS PRESENTES ele traz

o natal já passou agora, mas pense nisso quando for passear em um templo de consumo BEM artificial no fim deste ano

ultimamente eu tenho sentido muito mais vontade de me sentar ao lado desse cara aí da foto do que de colocar uma roupa bunita e fugir da realidade em ambientes de manipulação coletiva, nos quais só falta as pessoas receberem uma injeção de estupidez logo na entrada – pra poder consumir more

.

ps: le grand penseur n’est pas moi, mais alex -pour ceux qui pensait que j’étais un grand penseur…

price

e se fosse possível vender minha alma? qual seria o preço?

r: o número de anos que eu vivi vezes 70 vezes 7 (seguindo tradições da bíblia, gosto de multiplicar símbolos por setenta X sete), traduzidos na morte de pessoas à minha escolha, no prazo que eu quiser, e com base em uma série de outras minhas condições no momento do fechamento do acordo…

o primeiro seria o fdp que roubou meu capacete, menos por relevância que por proximidade temporal.

os outros seriam vaporizados por um olhar ou pela força da mente, mediante uma senha de segurança…

se a venda fosse feita hoje, eu poderia limpar a terra de mais de 10 mil almas sebosas: não é muito, mas já ajuda…

Hans Baldung Grien - Eve, the serpent and death

Hans Baldung Grien - Eve, the serpent and death

este pseudocontrato é protegido pelo seguinte meta-disclaimer (in english)

Tenebral Age

Eu me interesso pelos nomes dos períodos históricos:

Pré-história, Mundo Antigo, a escura Idade Média, as inúmeras eras e sub-eras: Era Moderna, Era do Renascimento da Razão, da Reforma, da Iluminação, das Descobertas, do Romantismo…

Sempre achei peculiar a pré-história não ser considerada como história, apesar de ser história. O “Antes da história”. Mas se eles existiram, se deixaram monumentos (Stonehenge), se têm também sub-eras (Pedra, Bronze, Ferro)… Supostamente o “Antes da História” existe do surgimento do Universo (BUM!) até o momento em que a escrita surgiu. Será que isso é coisa do Heródoto de Halicarnassus? Eu chamaria esse período de a Era Alongada (the Warp Age). Pronto; além do nome do meu cachorro, dei nome pra uma segunda coisa na vida. Que alegria. Acho mesmo que o Heródoto cochichou aqui no meu ouvido.

Vou dar nome pra uma terceira coisa e acho que isso vai fazer o meu nome entrar pra História. Não hoje. Essas grandes e revolucionárias idéias só são descobertas tardiamente e, pra minha tristeza, essa minha serendipidade só será reconhecida após a minha morte. De forma que o Prêmio Nobel fica pros netos que nunca terei, ainda que eles pudessem dizer “meu vovô que deu o nome pra essa era”:

A Era Tenebral, The Tenebral Age. Já tava na hora de alguém traçar uma risca e determinar o fim da Era Contemporânea. Tem início agora, a partir do ano 2000 – não é um bom marco? – um novo ciclo da miséria humana, marcada por novas desgraças e poucas mas interessantes descobertas que fazem a gente continuar. Fica também determinado que a Era Tenebral irá durar dois séculos. Eu criei o nome, determinei seu onset histórico, posso também estabelecer sua duração.

Post lux tenebras

Tenebras em latim quer dizer escuro, sombrio. Tenebroso deriva dessa palavra. E é esse mesmo que deve ser o nome do período da História em que a gente vive. Mas nada muito diferente do que sempre foi: parecido com a Idade Média, mas agora a gente lava as mãos antes de comer.

Time Bomb

with the coming of ages our heads usually do explode

A Era Tenebral. E o que dirão os historiadores sobre a minha importância e sobre a minha era daqui a dois séculos? Creio mesmo que eles nos verão mais ou menos como uma fusão entre feudalismo e capitalismo. Hoje em dia existe muito mais circulação e variedade de moedas, um pouco mais de pessoas têm acesso à elas, mas essencialmente continua a grande massa a viver dentro de um feudo, um burgozinho sem fronteira, com tanta alienação quanto antes, quiçá um pouco mais por causa da tv, quiçá apenas um pouco diferente. A tv aliás tem hoje, na Era Tenebral, o papel da igreja católica: manipulação para a ignorância.

Somos todos um bando de pessoas absurdas, correndo apressadamente pra lugar nenhum e sem nenhum propósito. Tudo muito subjetivo, apesar de a subjetividade ser objetiva em um esquema racional de percepção, apesar de a percepção ser irracional e implicar iminência*.

Se eu fosse ignorante, isso não seria problema seu.

.

* Vou identificar a fonte dessa brincadeira sobre a objetividade da subjetividade: Love and Death, Woody Allen. Estou apaixonado, mais do que antes, pelo humor desse cara. Alguém aí já assistiu Desconstruindo Harry? É muito engraçado. Hoje é dia de assistir Annie Hall (em português noivo neurótico, noiva nervosa).

plot unveiled

sabe aquelas denúncias que a tv sempre apresenta contra políticos sobre todas as imundícies possiveis? pois é, acabei de ficar encasquetado com uma coisa. acho mesmo que isso é mais uma das minhas mais últimas tristes constatações. qual a idéia: eles falam falam e falam e a gente fica estupefato com tudo mesmo, as imagens, o discurso (sempre o mesmo), quer seja uma coisa bonitinha, quer seja uma dessas coisas que fazem a gente vomitar de tanta raiva frustração impotência, e fica preso às imagens e ao discurso através de uma força magnética hipnotizante, seja consciente, seja subliminar.

essa mesma tv muitas vezes é útil. tem muita coisa instrutiva passando na tv, se você tem paciência de ficar zapeando até achar um programa legal. leva tempo e muitas vezes o nome do filme não confere com o que está passando… mas o que escasqueta afinal?

eles ganham muito muito dinheiro vendendo espaço para vendas. essa venda é feita através de imagens e discursos sedutores irresistíveis. a associação com instintos primitivos (fome sexo cocô) é tão forte que o apelo se transforma e culmina em orgasmo. e porque essa quantidade enorme de ovelhas que dão audiência para a tv ficam imantadas à tela? fácil. eles criam dificuldades para vender soluções. o ser humano adora desgraça. é atávico (desde a época das cavernas). ver catástrofe acidente denúncia espanta mas é gostoso. vem acompanhado de um monte de imagem, discurso e hipnotiza a gente. a gente até enraivece com a denúncia a catastrofe o time de futebor, mas no finar eles vendem felicidade (conceito vazio). e nada é ÚTIL. nada. mas a gente gosta mesmo assim. afinal comer chocolate, comprar carro, torcer pelo time, beber e comer feito idiota, e surtar de prazer vendo alguém sendo enforcado em praça pública é atavicamente orgásmico…

e daí? o quê encasqueta? a idéia da tv é essa mesma… mas vou dar um exemplo do quê irrita. o sarney, aquele mesmo sarney secular, que desgoverna o país e o maranhão (não necessariamente nessa ordem) há bastante tempo, dono de um dos estados mais pobres do país (seguido de perto pelo collor, aquele mesmo, também lá em cima, com poder para tomar decisões por todos nós), foi alvo de uma campanha demorada de denúncias porque o senado, o filho, a filha, os parentes… um certo canal globo foi um dos mais assíduos em denúncia e inconformidade. quase tanta comoção e surpresa quanto a expectativa pelo último capítulo da novela ou a curiosidade pelos personagens da novela que começa na próxima segunda-feira. é TUDO IGUAL: a novela e as notícias, as imagens e o discurso. denúncia felicidade denúncia.

por que a tv está vendendo o estado do maranhão através de uma série especial de reportagens para atrair mais turistas pra lá? o dono do maranhão não é esse mesmo sarney que se envolveu nas piores falcatruas possíveis a um ser humano corrupto imoral? então por que a globo faz propaganda pra esse cara? não é a própria globo quem faz um escândalo reiterante eterno sobre denúncias lascivas contra esse cara?

a economia.

as pessoas gostam disso. todomundo alheio à vida. criar um congestionamento de 10km por causa de um acidente. dos dois lados da via. repetição. lavagem cerebral. ignorância. todomundo absorto em sonhos fúteis despertados pela tv. define drug.

hello? quem tá aí? just nod if you can hear me

*

foot-dragging: deliberate reluctance

Acordo bem cedo, me visto, dirijo sozinho pro trabalho, coloco um crachá com um nome, tiro o cérebro de dentro do crânio e o coloco numa gaveta.

Passo as próximas nove horas sorrindo pras pessoas, fazendo de conta que estou interessado na felicidade delas, tolerando a companhia dos meus colegas de trabalho, olhando pro relógio.

No fim do dia tiro o crachá com um nome, tiro o meu cérebro da gaveta e ponho de volta na cabeça, caminho pelo estacionamento, dirijo sozinho pra casa.

E isso é muito, muito, muito chato.

Parece que tenho que fazer isso por muito, muito tempo.

.

Nancy Botwin – Weeds

mrb

If you work for a living, then why do you kill yourself working?

Gee

Tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo: um amigo internado no hospital prestes a fazer uma cirurgia super grave e, no mesmo dia, um amigo insistindo pra eu ir numa festa super animada de aniversário…

Como conciliar as duas coisas? Não tem como. A festinha fica pruma próxima.

Ficaram triste porque eu não vou à festinha, mas eu prefiro perder esses quatro cinco amigos de festinha a perder um único grande amigo em um momento de precisão.

Um saco a ausência de saúde plena, não?

Tudo passa sobre a terra.

Über plushness

20 class a cigarettes. Vejo isso desde a adolescência. Sempre me perguntei do porquê de tanta incorreção: se é plural – cigaretteS -, eles não deveriam suprimir o artigo indefinido? Ou a idéia é 20 Class “A” cigarettes. Existe Class C cigarettes? Se houvesse, eles o venderiam como tal?

Essa discussão sobre concordância numérica me fez lembrar de um episódio da minha infância. No ônibus que me levava de casa pra escola et vice versa, havia um adesivo na parte superior do pára-brisa, uma propaganda (provavelmente o ônibus escolar era patrocinado pela empresa…): Molas Padroeira. Nossa, isso me encasquetou por muito tempo… Acho mesmo que eles deveriam ter contratado um publicitário pra ajudar a criar o nome da empresa…

Depois de anos de convivência com a língua inglesa, aprendendo muitas coisas pequenas aqui e ali, hoje sou capaz de sugerir uma outra leitura para o label dos cigarettes: vernacular. Eles vendem o produto usando a língua do povo. A interpretação definitiva da frase é a condensação de “of” em “a”. Ao invés de dizer “20 class of cigarettes”, eles preferem a frase coloquial “20 class a cigarettes”. Não é bem melhor assim? A culpa é deles se não há diferenciação entre maiúsculas e minúsculas. Se eu fosse o cara do marketing (MKT), eu diria “20 classy cigarettes”. Assim é melhor.

Não é engraçado, pra dizer o menos, as frases que esse povo é capaz de criar para seduzir o povo e vender uma determinada merda? Tome o caso, e.g., dos produtos incrivelmente maravilhosos que conquistaram o coração e o bolso de mulheres, que variam entre bobinhas e ingênuas, da Victoria’s Secret. Ai, que gostoso esse ideal de consumo, querer ser igual àquelas modelos… Ultimamente eu tenho notado que, de 10 mulheres da classe média que eu conheço, 9 compram produtos “importados oficialmente” da Victoria’s Secret. Essencialmente cremes. Moisturizers. Eu incidentalmente tive a curiosidade de ler o rótulo de um desses cremes, explicando o que ele é/faz. Olha que inspirador:

Slip into petal softness with our

Skin-Silkening Body Lotion.

Enriched with natural skin soothers,

conditioners, and sensual fragrance,

it leaves skin soft, silky and

scented with sparkling Pear Glacé.

Nossa, quase bebi o negócio…

Veja só se não é quase um ato sexual (vou fazer uma versão para o português):

Mergulhe dentro da suavidade das pétalas com nossa loção que faz sua pele se transformar em seda. Enriquecida com amaciantes naturais (eles sempre dizem isso. How to get ahead in advertising, anyone? Cê sabe, né, essencialmente é tudo uma mistura muito química…), condicionadores, e uma fragrância sexual, ops, sensual, ela deixa a pele macia, sedosa e perfumada com um glacê cintilante de pêras” (??).

Fez escola.

Ainda faz, quando um advertiser quer vender alguma merda… Seja cigarro, seja creme. Haja crasse!

.

A minha postagem neste blog está começando a parecer Twitter – na minha opinião, uma dessas idiotices fenomenais que eu não entendo e que fazem adolescentes virar milhonários (sic).

Haja prolificiduidade (prolífico com assiduidade). Quanta contradição com os meus princípios: ora eu escrevo a cada dois meses, ora 20 posts por dia. Acho que estou a meio caminho de ostentar novos princípios…

God exists

Algumas coisas fazem a gente ter convicção de que Deus existe e que Seus anjos protegem a gente e as pessoas que a gente gosta.

Hoje minha mãe foi abordada por dois rapazes em uma moto, que se aproximaram na contramão e exigiram sua bolsa. Nessas horas nossa reação é sempre uma variável; ninguém nunca sabe como vai reagir, apesar de toda a ladainha “não reaja, entregue tudo e se eles aparentarem estar drogados, diga de antemão o que vai fazer pra não correr o risco de levar um tiro porque eles acharam que você ia tirar um revólver da bolsa”.

Sabe qual foi a reação da minha mãe? Ela começou a gritar feito uma louca e entrou correndo em uma avenida de quatro faixas hiper movimentada. Todo mundo brecou e ela entrou no carro de um homem que a levou até uma delegacia. Não levou tiro, não foi atropelada, nem teve um infarto…

Essas coisas fortelecem a minha crença em um ser superior protetor (Deus, para a maioria) e me fazem agradecer profundamente o anjo da guarda dela, que é supimpa.

*Obrigado*

Não custa lembrar: não saque bastante dinheiro no seu banco de confiança a saia andando pela rua. Sempre tem alguma quadrilha de olho…

I really hate it

Propagandas pop-up na internet. Odeio. Tanto quanto um alarme de carro disparado no meio da madrugada. Antes dava pra bloquear. Hoje em dia não dá mais.

Pô, tem tanto lugar elegante pra se colocar anúncios…

Os sites da Folha/UOL, Veja e quase todos os outros canais tapuias de informação estão usando agora um tipo de pop-up – que jão nem é mais pop-up porque infechável – que acompanha você enquanto você desce a tela lendo um texto. É o equivalente a andar de carro e ter alguém pulando do seu lado na janela e segurando um cartaz pisca-pisca com propaganda idiota durante todo o caminho.

Detestável. Hoje em dia quando penso “deixa eu ver algumas notícias no site Veja/Folha/UOL”… eu já lembro de antemão das propagandas irritantes e nem acesso o site mais.

Era isso o que eles queriam? Repelir acessos?

Comigo funcionou. Mais do que nunca eu acesso notícias sem edição, muito mais completas em sites que NÃO ENCHEM O MEU SACO: The New York Times, The Economist, Wired… Lá tem propaganda, claro, mas SEM INTERFERIR, piscar, pular, me seguir…

But in English.

The Brain & Evil

Acabei de ter uma epifânia, um insight, assistindo um desses documentários maravilhosos sobre o cérebro na tv (ok, eu normalmente odeio o que passa na tv, mas dessa vez foi legal). O cérebro é incrível por suas inúmeras subdivisões (amígdala, lobo temporal, hipotálamo etc.). O cérebro dos psicopatas, por exemplo, se caracteriza por não conseguir entender o sofrimento dos outros, porque o centro de identificação com o outro é muito menor do que o de uma pessoa “normal”. Não processa. Eu sinto vontade de estrangular uma puta e, por mais que ela sofra durante o lento, doloroso, gradual e quiçá sangrento processo, não me identifico com ela, com sua dor, com o seu sofrimento psíquico. Por isso a mato de um jeito cruel e imoral (para a maioria das pessoas). Pode ser anti-ético ou não, dependendo do grupo sendo observado. Eu quero, e isso basta. Incrível isso não?, não fossem as constatações todas da ciência.

Se uma pessoa faz mal a outra, sabendo que a prejudicou, ela pode ser punida (dependendo do advogado). Caso ela não perceba que prejudicou a outrem, será submetida a um longo e subjetivo processo de avaliação.

Afinal, o que é o Mal? O que exatamente é aceito e tolerado por um grupo?

Roubar é mal? Enganar? Matar? Tirar proveito da estrutura pré-estabelecida, da Máquina, do que “acontece normalmente” de uma forma ou de outra em benefício próprio é errado? Prejudica os outros? Mas… prejudica de um jeito pior, mais do que me beneficia?

É mal, sim. Achar que só porque os outros fazem/fizeram tal coisa permite que você dê continuidade a uma determinada ação é errado sim! Porque alguém rouba tradicionalmente aqui, não quer dizer que é certo. Porque em um dado grupo social matam-se as putas, continuo achando isso errado. Pelo menos no meu sistema de crenças, do meu código moral e ético. Vai ver minha amígdala é um pouco maior. No meu íntimo, lá dentro da alma, eu sempre sei se o que fiz ou estou prestes a fazer é certo ou não.

grupo de neurônios, no sistema límbico: stress, raiva, reação, agressão, sexo

Matar putas (tadinhas delas… servir de suporte pra minha argumentação…), roubar, enganar… Tudo isso é muito ruim, muito errado. Especialmente pensando na suposta evolução do ser humano. Como tornar a civilização melhor quando seus membros fazem coisas erradas sabendo que são erradas? Eu me esforço pra desenvolver parcerias positivas com todo mundo ao meu redor, desde os meus amigos até os garis que varrem as ruas do meu bairro (eu sei o nome deles: Gaspar e José. O Gaspar é uma ótima pessoa, adora conversar, mas infelizmente vai trabalhar numa região mais próxima da casa dele. Não é estranho que os garis tenham que trabalhar em bairros que não são o lugar onde eles moram? Eu acho muito importante a gente cuidar das redondezas do lugar onde a gente mora; fico bravo quando escuto o barulho de uma latinha de cerveja jogada na rua. Jogar lixo nas ruas é uma coisa que sempre me deixa inconformado). Quando eu me desvio daquela minha conduta esperada, eu sou o meu próprio e mais severo julgador (eu ia dizer juíz, mas eles em geral tomam decisões estranhas também, contrárias ao bom senso…).

A publicidade engana e ludibria o tempo todo. Convence as pessoas a consumir um determinado produto com base em falsas premissas, ou em premissas vazias. Força as pessoas a comprar coisas que elas não querem, a priori. Isso sustenta a nossa sociedade e é muito muito errado. O tal infamous Consumo. Essa discussão vai longe e fica pr’uma próxima. Todo mundo sabe afinal e lá no fundo que isso é errado, que tem alguma coisa errada com os comerciais. Mais alguém aí já percebeu e sabe que eles usam constante e impunemente uma série de artifícios subliminares para induzir mais consumo? A Colgate por exemplo coloca um apitinho irritante e bem baixinho – pi…pi…pi…pi…pi… – nos comerciais de creme dental. Como eu tenho uma audição extraordinária, eu me peguei outro dia incomodado com alguma coisa, um alarme chamando minha atenção para a tv. Muito sutil. Absolutamente inaceitável.

Acabei de assistir a “Como fazer carreira em publicidade“. Um dos filmes de humour britânico mais inteligentes e perspicazes do mundo! Procure na sua locadora; você vai gostar.

ah... a consciência ali embaixo...

Mas, voltando ao assunto da psicose (roubar, matar, enganar), tudo o que a gente faz tem uma consequência. Para nós mesmos ou para os outros.

Durante a execução de todas as nossas ações a gente ouve uma vozinha, lá no fundo, dizendo se o que isso que a gente está fazendo é certo ou errado. Isso é real, pois certo e errado são conceitos únicos e universais (universal significa que inclui os ETs em outras galáxias também). Todo mundo sempre sabe, no fundo, se o que está fazendo e até pensando é certo, ou errado. A gente sabe. Mais do que sabe, sente.

Menos os psicopatas.

E isso me leva ao argumento final e conclusivo: Os políticos, os advogados, os publicitários (me desculpem se eu exclui alguma categoria) fazem coisas sabendo que essas coisas são erradas, pois elas vão, SIM, prejudicar outras pessoas, em maior ou menor grau. Ou porque as privam ou porque as aleijam ou enganam ou roubam. Ninguém pode prejudicar os outros, sem ser considerado um psicopata. Alguém aí assistiu The Corporation? Esse filme estabelece uma relação direta entre as corporações e a psicopatia. Faz um par perfeito com “Como fazer carreira…”. Só que este é uma comédia e aquele é sério.

Os políticos que roubam (acho que são todos) ou que têm salários astronômicos, além dos inúmeros e inusitados perks mais do que vergonhosos, os advogados do diabo, os publicitários (podia incluir muita gente aqui também, como a maioria dos líderes religiosos etc.) terão um pequeno e passageiro drama de consciência. Nada que uma viagem gostosa pelo mediterrâneo e uma bíblia recheada de dinheiro não resolvam…

Serão eles também psicopatas?

Afinal, qual a quantidade de sofrimento alheio inflingido ou prejuízo é tolerável?

Nenhuma. Nenhuma.

Vivemos em uma sociedade de psicopatia. Alguns percebem isso.

Enfim, uma das maneiras de protesto mais racionais, que eu pratico e recomendo, é o voto nulo. Pense que grande revolução pontual se a porcentagem de votos nulos fosse, digamos, 40%… Não ia ter que mudar alguma coisa?

Está interessado pela psicopatia da elite ancestral? Veja esse vídeo no youtube. Ele tem 3 partes de 10 minutos cada e vale muito a pena assistir.

_

Sors de l’enfance, ami, réveille-toi!

Adoro citações en français. Elas são muito chiques e parece que, porque em francês, são muito mais verdadeiras. Além do que, faz parecer a quem ler o que eu escrevo, que eu tenho aquela casquinha intelectual de que o Mário de Andrade falava.

A máxima-título deste post é do Jean-Jacques Rousseau e serviu de epígrafe aO Mundo, do Schopenhauer: “Sai de tua infância, amigo, acorda!” (uma pancada na cabeça) (Já tinha falado do Rousseau em outro post – saber viver como a natureza exige). Gosto do Schopenhauer porque ele fala sobre como viver aceitando todas as limitações da existência, com o respectivo impacto do desejo e suas frustrações no nosso bem-estar. Überracional. (Como eu sei que nem todo-mundo vai ter saco/tempo pra ler O Mundo, eu vou abordar alguns aspectos aqui – no blog, não no post -, eventual e paulatinamente.)

Freud foi largamente influenciado por Schopenhauer, por sua vez iluminado por Descartes, Kant e pela filosofia milenar do Hinduísmo e sua Lei Eterna (essa epifânia, dividida em Vedas = conhecimento, e Upanixade = meditação e filosofia, também fica pr’uma próxima). Freud apreendeu o conceito de vontade e representação e desenvolveu a teoria do desejo, da repressão, id, ego, super-ego. E claro que ele leu muita coisa en plus de Schopenhauer.

Outra citação en français que eu gosto bastante é “J’ai plus de souvenirs que si j’avais mille ans“, do Baudelaire (Spleen), que significa “Tenho mais lembranças do que se tivesse mil anos”. Demais, não? Gosto de acreditar que, se reencarnações houvesse, eu já teria vindo e ido muitas muitas muitas vezes. Talvez por isso goste tanto desse poema do Baudelaire. Perfeito para um pirata cansado.

Já deu pra perceber que eu gosto muito da literatura do século 19. Adoro esse pessoal que fundou ou veio depois do Iluminismo. Não vou nem chegar perto da questão Renaissance-Siècle des Lumières e suas subsequentes subdivisões porque isso vai longe e inclui muita muita gente (beaucoup de gens et d’artistes studieux). Mas é gostoso demais ler gente que despertou do obscurantismo da idade média e descobriu a racionalidade dos fenômenos, indo muito além da mera observação. Eles conseguiram pensar em presque tout.

Hoje acordo com uma porção de coisas pra fazer (não muitas, é verdade, ao contrário do que todo-mundo diz. Todo-mundo está sempre muito ocupado em mentir no currículo…). No meio de tudo isso, tenho as minhas expectativas para o dia e uma panóplia de quimeras. Quase todas se frustram e eu tenho que lidar com isso, material e emocionalmente. Nos dias de sorteio da megasena eu acordo e desejo: ai meu Deus, hoje vou poder ajudar minha família e meus amigos, vou comprar meu apartamento e um audi A3, e vou dar um giro pelo mundo… Quase todo dia seguinte eu tenho que lidar – de novo – com a frustração da pobreza, com o esforço inútil e vão de vender minha inteligência e meu trabalho para comprar migalhas de desejos. Sorry friends; better luck next time.

Lembrei de outra citação que eu gosto, dessa vez do Manuel Bandeira: “A vida é uma agitação feroz e sem finalidade (…)”.

Das relações entre elite (essa pouca gente que concentra quase toda a riqueza do mundo há séculos e chega até a casar incestuosamente para não ter que dividir), e mão-de-obra (essa toda outra gente que produz, sonha, e sofre com as limitações financeiras, e pode eventualmente incluir a bourgeoisie), e das relações entre arte/intelectualidade e trabalho, gosto dessa citação, en française, claro, “Je suis un homme spiritualiste etouffé par une société materialiste, où le calculateur avare exploite sans pitié l’intelligence et le travail” (sou um homem espiritualista cansado de uma sociedade materialista, onde o agiota avaro explora sem piedade a inteligência e o trabalho), Alfred de Vigny, da turma do Charles.

(Por que os banqueiros arrancam todo o nosso dinheiro das maneiras mais criativas e compulsórias e depois aparecem na mídia fazendo caridade?? É como a Shell ou a Petrobrax (lembra disso?) fazendo propagandas como se se preocupassem com o meio ambiente…)

Voltando: gosto dessa turma toda porque eles me ajudam a obter um certo equilíbrio psicológico para as minhas frustrações, equilíbrio que não chega a resolver meus problemas, minhas dúvidas, mas me dá um certo conforto, uma certa sabedoria que serve apenas para me consolar de forma racional nos momentos mais agudos de tristeza com o mundo pelo o que o mundo é, ponto. O Harold Bloom tem uma definição muito legal para a sabedoria: aquela vozinha que dialoga com você quando você está quietinho, sozinho, refletindo sobre o conhecimento que você adquiriu. Não pode ser compartilhada; a sabedoria é uma coisa só sua. Gosto disso. Faz muito sentido. O Harold Bloom é genial e esse livro deve ser lido por todo mundo interessado em aprender sobre a busca pela sabedoria de todos os povos através da História e em se sentir melhor consigo mesmo.

Harold Bloom, Vigny, Freud, Schopenhauer… Eles me ajudam diariamente a conviver com meus desejos, minhas vontades, o que eles representam individualmente para mim, e a aceitação das frustrações e das limitações da existência, que são muitas muitas (ils sont très nombreux). Além de apreciar profundamente, óbvio, toda a beleza artística da œuvre deles. Gostaria de compartilhar esse sossego espiritual, mas cada um tem que achar o seu. Muita gente tenta isso através das religiões, mas elas, para mim, só fazem piorar tudo. Contudo, se você está interessado no ramo das religiões e quer investir seu tempo e seu talento nisso, leia a Entrevista com o profissional. Pra mim, a mais perspicaz, verossímil e franca entrevista da história da humanidade!

A leitura do Schoppy tá só no começo. Provavelmente ainda vou voltar a esse assunto outras vezes. Conclusão: saiba que perceber de maneira realista os seus impulsos primordiais dos desejos profundos, o constante querer querer não vai cessar nunca. Uma condição triste dos seres capazes de abstrair. Antes que você pergunte, só o homem consegue fazer isso, dentre todos os bichos existentes (os ETs supostamente não têm esses conflitos…). A convivência com esse almejar incessante (seja lá o que você queira) dura a vida toda, não tem cura e paradoxalmente é parte inexorável do que você e eu queremos ser. Lide com isso (o mundo como representação). Pessimisticamente fato. Acorde da infância. Você vai sempre querer querer. Mas tem que saber disso.

.

PS: este post inaugura o novo visual do meu blog e é o primeiro também com o título em francês (quem é espertinho já percebeu que os títulos são todos em inglês) (peraí que eu babei no teclado…). A imagem no header é uma concepção artística que eu achei no site da National Geographic sobre o fim do universo, quando ele voltar ao seu ponto inicial, pré Big Bang, antes da infância. Por mim, podia ser na semana que vem, cheio de som e de fúria…

…mesmo no vácuo… oommm…

no more aaaaahhh…

hello

is there anybody in there?

just nod if you can hear me

is there anyone at home?

come on, now

i hear you’re feeling down

well i can ease your pain

get you on your feet again

relax

i need some information first

just the basic facts:

can you show me where it hurts?

there is no pain, you are receding

a distant ship’s smoke on the horizon

you are only coming through in waves

your lips move but i can’t hear what you’re sayin

when i was a child i had a fever

my hands felt just like two balloons

now i got that feeling once again

i can’t explain, you would not understand

this is not how i am

i have become comfortably numb

ok

just a little pinprick [ping]

there’ll be no more – aaaaaahhhhh!

but you may feel a little sick

can you stand up?

i do believe it’s working – good

that’ll keep you going for the show

come on it’s time to go

there is no pain, you are receding

a distant ship’s smoke on the horizon

you are only coming through in waves

your lips move but i can’t hear what you’re sayin

when i was a child i caught a fleeting glimpse

out of the corner of my eye

i turned to look but it was gone

i cannot put my finger on it now

the child is grown, the dream is gone

i have become comfortably numb.


roger waters & david gilmour

Yesterday

Tenho um amigo muito engraçado. Uma vez a gente foi devolver um dvd na 2001 e eu perguntei pra ele se ele tinha rebobinado o dvd antes de trazer pra loja. O funcionário deu um risinho com o canto dos lábios. Meu amigo ficou meio abobado, todo estupefato. E agora, vai ter que pagar multa?

Lembra que antigamente as locadoras cobravam multas da gente por tudo? Atrasou? Multa. Não rebobinou a fita vhs? multa. Lembra disso? VHS, Betamax… tudo tão longínquo. O primeiro vídeo cassete que eu vi na vida em meados da década de 80 ejetava a fita por uma tampa que subia ao apertar de um botão e se projetava para a frente. Era demais! Foi nesse VCR que eu assisti os filmes da adolescência que mais me marcaram, no apartamento dos meus primos: Goonies, Indiana Jones, Gremlins, Guerra nas Estrelas… Quando a gente finalmente teve video cassete em casa, o controle remoto só funcionava se conectado ao aparelho por um cabo de 3 ou 4 metros que ficava enrolado no meio da sala.

Tudo tão antigamente. As 5 locadoras que existiam no meu bairro trocaram de dono várias vezes e depois fecharam uma a uma. A dona de uma delas era coreana e me ensinou a dizer uma porção de coisas: obrigado = Kamsahamnida 감사합니다 (pronuncia-se Câmisa mi dá). Ela ficava o tempo todo falando em coreano por telefone, produzindo aqueles barulhinhos de escarro que a gente ouve também com o CH em alemão e o X em grego. Em uma outra o atendente simpático e verborrágico me contava as aventuras dele no Japão. Ele tinha uma tatuagem da Yakuza ヤクザ e explicava porque o pai dele brigava com ele por causa da variedade linguística desrespeitosa que ele usava com os mais velhos… A única que sobrevive ainda agora vende mais itens de papelaria do que aluga filmes, se esforçando pra sobreviver, estertorando. A locação custa 2,50 por um período de 3 dias. A cada dois meses eu vou lá pegar algum filme que eu não achei na internet, de graça. Lá é bom porque eu posso entrar com o meu cachorrinho, que é muito educado e nem mija dentro da loja. Às vezes dá uma sensação de ser o último representante de uma era, porque lá nunca tem ninguém. Ninguém aluga filmes mais. A gente sente como se tivesse atravessado um portal para um mundo paralelo, isolado de toda a agitação de uma das ruas mais movimentadas do bairro.

Muitas coisas mudam e outras permanecem iguais. Esse amigo ainda é o mesmo. Um pouquinho piorado. O resto é tudo diferente. Tudo foi.

Tudo passa sobre a terra.

Think things through

Até agora eu usei a palavra “coisa (s)” 23 vezes. Engraçado isso, não? haha. Right. A gente expressa muita coisa por “coisa”. Aconteceu uma coisa… Senti uma coisa… Vi uma coisa… all Stuff.

Não é a mesma coisa que Thing.

Gone with the Wind

Assisti acho que pela quarta vez “E o Vento Levou”. Esses filmes clássicos, especialmente os de quase 4 horas, são bons de assistir de 3 em 3 anos. É um bom espaçamento de tempo pra gente sentir saudade dos personagens que marcam nossas vidas por 1) serem muito bem construídos e portanto nos entreter demais e 2) por representarem coisas que a gente gostaria de ser. Eu adoraria dançar como o Gene Kelly em “Cantando na Chuva” ou ser engraçado como o Donald O’Connor and make’em laugh.

Não digo que gostaria de passar pelas agruras que Scarlett atravessa (“jamais sentirei fome novamente!”), mas gosto de ver a reconstituição da American Civil War (1861-1865) (feita pro cinema, claro, e tendo a vida dramatissíssima da Miss O’Hara como fio da meada). Não me importaria em ser um Rhett, com todo o dinheiro na Europa, exceto pelas orelhas.

No final (se você não viu o filme, não continue lendo), depois de atravessar inúmeras peripécias, depois da guerra, durante a Reconstruction Era (essa parte é interessante também, por mostrar a construção definitiva do que hoje é os Estados Unidos, irreligiously), com toda aquela ambição, depois de se casar, ter uma filha etc., eles se separam, com a famosa frase dele “Frankly my dear, I don’t give a damn”, depois de tudo o que ela aprontou, claro (e ele também). Mas é sempre triste o fim, ainda mais o desfecho de um grande amor. Ela termina em Tara, a casa da terra vermelha, a fonte da força de Scarlett, o lugar só dela, onde ela sempre gostou muito de estar, mas agora sozinha e meio louca.

Por isso os filmes clássicos são bons. Eles representam ainda hoje o comportamento essencial do ser humano. O Pathos está lá, quer você seja mais romântico ou mais áspero. Você sempre vai se identificar com um personagem ou outro e suas ações.

Muitas coisas acontecem em nossas vidas: experiências, pessoas. Eu gostaria muito que as coisas boas fossem uma constante (e não uma pulsante), que a gente pudesse ter sempre experiências agradáveis e que as pessoas que a gente gosta pra valer pudessem estar presentes todos os dias (Esse é o meu Pathos: mais forte que o Logos e que o Ethos. Não, que o Ethos nem tanto).

Nem sempre é assim. Por isso a idéia no título do filme é ultra apropriada pra representar nossas experiências de vida: Gone with the wind, o que foi com o vento; quantas coisas boas não foram embora com o vento… Gone, em inglês, é “o que foi”, diferente de “o que foi levado”. Pense em inglês: “blown by the wind” é muito diferente de “gone with the wind”.

…e muita coisa a gente tem que deixar ir mesmo. Gone.

After all, tomorrow is another day.

Hyde, Central, Bois de Boulogne?

Ibirapuera. Um dos parques mais gostosos do mundo e definitivamente o mais agradável de São Paulo. Muita gente conhece, mas pouca gente co-nhe-ce. Percebe a diferença? Como todo parque gigante, ele é cheio de lugares “secretos”, cantinhos que a gente descobre com o passar dos anos, frequentando bastante. Cada um tem seu preferido e muita gente nem conta qual é o seu pra não estar ocupado quando chega lá.

Depois de uma vida de frequentador eu achei o cantinho mais legal de lá. Nem adianta perguntar onde é porque eu não conto. Dou só uma dica: fica pertinho do lago… E sabe qual é o melhor horário pra ir lá? De noite. À noite tem mais cinco pessoas lá, além de você e os amigos que foram junto. E muitos seguranças, o que dá uma putz sensação de proteção. Dá a impressão de que se pode deixar o notebook no banco enquanto se vai ao banheiro (please, não faça isso, é só força de expressão).

As noites da cidade são muito mais silenciosas e ali, no meio de uma floresta planejada pelo Burle Marx, ouvindo o farfalhar das árvores ao vento e das asas de um monte de pássaros que volta e meia fazem pequenas revoadas sobre a gente, olhando a superfície absolutamente estática do lago, com uma névoa bem rente, é uma das experiências mais mágicas da vida.

Mas o mais gostoso foi ter estado lá com dois bons amigos. Valeu D. e D. (ih, quem que eu citei primeiro hein?)

Sic transit gloria mundi

Gosto de ler. Mais do que asssistir tv, o que é cômodo demais. Ler dá trabalho, você tem que se concentrar, voltar e ler alguma coisa pra ver se entendeu. Porém, ao final de um livro, a gente tem a satisfação de ter atravessado um outro país, cheio de peripécias e gente que a gente não conhecia.

Li Macbeth outro dia; em inglês. Foi difícil, dicionário do lado (um bom, que inclui palavras medievais) e ao mesmo tempo prestando atenção na riqueza do texto, coisas como saber que foi escrito em verso pentâmetro jâmbico (blank verse), pra quem não sabe, versos sem rima e com o rompimento de uma unidade sintática de uma linha pra outra. Como é uma peça, achei interessante aquela coisa do “Enter” fulano, “Exeunt” todo mundo, pontuando o movimento das dramatis personae. O próximo é King Henry the Fourth. Quero saber exatamente quem é esse Falstaff que sempre ouvi falar.

É muito gostoso atravessar essas veredas por si mesmo. Quantas vezes antes eu não ouvira sobre Macbeth e lady Macbeth. Eles não são nem de perto parecidos com o que eu imaginava. As pessoas comentam bastante sobre Shakespeare e a gente acha que sabe, mas NÃO SABE nada. É uma hstória incrível mesmo; deve ser lida, além de muitas muitas outras coisas que a gente deve ler e provavelmente nunca vai dar conta.

A palavra chave em questão é: seleção. Eu me esforço para selecionar o que eu voluntariamente ponho cérebro adentro. Nem sempre nas patuscadas com amigos eu consigo selecionar o que ouço. Mas, voluntariamente só vou atrás de informações que favoreçam o meu crescimento intelectual, espiritual e biológico – essas coisas engordam…

Dito isto, por que, me digam, por o quê deveria eu me informar sobre nosso fantástico mundo atual? Quem se interessa, além das pessoas mais facilmente manipuladas, pelos telejornais da Globo? Tu-do o que eles transmitem segue a tríade: escândalos reciclados em Brasília, catástrofes recicladas aqui e no mundo, e desinformações recicladas em geral, sempre balizadas por interesse econômico e coberturas parciais beeem tendenciosas. E a CNN e a BBC? Guerra, guerra e conflitos. Como são chatos e desinformacionais esses telejornais… São uma tentativa fútil e incoerente em transformar factóides atuais em História hoje, agora; um esforço vão de antecipar diariamente acontecimentos que supostamente entrarão para a História, com grandes e importantíssimas notícias que serão estudadas daqui a 50 anos. Algumas poucas coisas, sim, com certeza, mas 99,9%, não…

Por isso, meus bons amigos (refiro-me só àqueles que se preocupam comigo e me chamam de alienado), tô fora! Não quero saber quem é o ministro corrupto incompetente da vez. Não quero saber qual é a mamata gostosa denunciada neste mês; é só mais uma. Sim, o que eles “fazem” (mais apropriado, deixam de fazer) afeta a minha e a sua vida com certeza. Mas eles fazem muito mais coisas que a gente nunca saberá. E isso é corrente. O fato de o acadêmico FHC ter supostamente “reservado” 1bi nas ilhas Caiman para sua “aposentadoria” nos afeta? Claro. Collor roubou? E como! Mas saber isso não me fez mais feliz, nem mais rico, nem mais consciente ou participativo na nossa linda sociedade democrática. E olha que eu fui um dos caras pintadas. Na verdade eu gostaria que não fosse assim. Mas, lembre-se: o ser humano muitas vezes reproduz o papel de um vírus, “corroendo” tudo ao seu redor. Depois do Sarney (vômito) veio o Collor (úlcera), depois veio o FHC (nausea) e depois o Lula (nulo, nulo, nulo). E tudo continuará sempre igual. Não, não se engane. É assim desde chineses, gregos e romanos, que souberam muito bem criar e explorar burocracia, democracia e lobby. É e será sempre assim em qualquer país, em toda a linha da História, sempre que o homem, esse pequeno vírus devastador, continuar a habitar o planeta.

Eu não posso mudar isso (a natureza do homem e a política). Por isso, alienar-me-hei cada vez mais desse mundo que deveria informar e tornar as pessoas melhores, mas faz o contrário. Vai entender. Ferramenta estranha a TV. A que propósito serve? Sem falar nas propagandas. Pra mim é uma lavagem cerebral (alguém aí já reparou na quantidade de inserções da colgate, por exemplo, entre tantas outras empresas interessadas em “dominar o mercado”…?).

Gosto de digerir coisas boas e úteis. Por isso, continuarei lendo Shakespeare, Milton, Kafka, Baudelaire, Machado, Bandeira, Mário et al.

Entretanto, sendo possível mudar alguma coisa, conte comigo para uma manifestação, jogar ovo em ministro ou para quebrar as janelas da casa do Maluf. Isso seria divertido. E útil. Muito mais do que assistir TV. Mas menos que ler um bom livro.

Habitat

Todos os bichos têm* um lugar gostoso e natural pra viver. Os leões vivem em savanas, lugar grande pra correr e caçar comida. Os pinguins vivem naqueles lugares frios, com montanhas magníficas e perto do mar congelante. As aves no céu e os peixes na água. Tem muito bicho que gosta de viver embaixo da terra também. Todos eles têm em comum o prazer de viver no lugar em que gostam, comendo o que gostam e fazendo o que gostam.

Esse é o grande problema dos homens. Um bicho capaz de destruir o lugar em que vive tanto quanto um vírus, uma célula cancerosa. O homem se estabelece em um lugar e, em uma década ou duas, destrói tudo, corroendo a paisagem com um cancro cimentado. E não é feliz, como supõe-se os vírus. Não vive como gosta, não come o que gosta e não faz o que gosta. E não adianta vir pra cima de mim com esse neomarketing de auto-ajuda da pós-industrialização: se tem horário pra chegar, pressão por metas em escala e convivência forçadamente simpática com seres desinteressantes com o único objetivo de sobreviver (leia-se viver onde não gosta, comer o que não gosta e comprar), tudo é uma merda.

Por isso o homem é um bicho diferente e infeliz, no núcleo duro. A gente (sou um ser humano também, por isso me incluo) vive a teoria da sobrevivência do Darwin do jeito mais burro: o mais forte nem sempre é o mais apto e digerir a inteligência alheia deve dar muitos gases mesmo.

Fecho com Rousseau, que no século XVIII anteviu tudo isso que eu sinto e você deve sentir também:

“O homem que fala em “Estado da Natureza” fala sobre um estado que não existe mais, que pode nunca ter existido, e que provavelmente nunca existirá. É um estado sobre o qual devemos ter, mesmo assim, uma idéia adequada para julgar corretamente nossa condição atual.” (Prefácio ao Discurso sobre a Desigualdade, 1754)

Pra finalizar:

“A maioria de nossos males é obra nossa e os evitaríamos, quase todos, conservando uma forma simples de viver, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza.”

Eu: é doente perseguir uma carreira, se esforçar pra construir algo que a maioria das pessoas nem entende ou entende e se vende ou compra. O ser humano se esforça pra ser um leão que decide o que os outros leões devem fazerm pelo “bem mútuo” (na verdade o ser humano não pensa em bem mútuo, desculpa), traduzido em símbolos de status – dinheiro ou poder. Muitos pinguins ricos ou poderosos querem determinar como e onde os outros pinguins devem investir seus talentos, para construir uma carreira bem sucedida e colaborar com a bem estar comum (mais uma vez, desculpa, o ser humano não pensa nisso, muito MENOS nas nossas modernas corporações).

Isso tudo é muito triste. Mas acho que eu é que sou um misfit. Vou virar um eremita nas montanhas…

.

* as novas regras do português são um saco. Os países lusófonos ainda escrevem e continuarão a escrever de jeitos distintos. Querer unificar a grafia de culturas tão diferentes é uma das coisas mais idiotas que essa gente “acadêmica” poderia ter inventado. A língua de um país se modifica naturalmente, com o passar dos anos. Em cada país, de um jeito diferente. E nunca porque a autoridade determinou. Eles não percebem isso? Eu vou continuar a escrever do meu jeito certo; sem o trema, claro.

Recycled Wisdom

Eu não tenho paciência com pessoas inferiores a mim. Não me preocupo com isso. Não que eu seja superior. Eu tento. Mas como é difícil lidar com pessoas que fazem questão de não saber. Tão ruim quanto isso é lidar com pessoas que acham que sabem. Muita gente deve ter essa impressão de mim. E eu sei muito pouco mesmo.

O que fazer com o conhecimento que dá a impressão do saber? Transformar a informação em conhecimento é confuso. Pior ainda se envolve ação. Me preocupo hoje em dia mais com a sabedoria, aquele processo que ocorre interiormente, quando a gente está quietinho conversando com a gente mesmo, depois de ler coisas interessantes, por exemplo. Como a gente vai compartilhar uma experiência tão pessoal e subjetiva? Poucos entendem. Sequer interessa. Oscar Wilde disse que toda arte é inútil. Acho que a gente deveria estender esse conceito à sabedoria.

É tudo um pouco complicado. As pessoas julgam umas às outras pelo que têm. E é um saco tentar participar de um grupo quando seus membros constituintes se julgam tão importantes por possuirem coisas ou ocupações pomposas. É uma das experiências sociais mais vazias do mundo. Raramente essas pessoas acrescentam conhecimento. Não que nesses momentos seja impossível rir. E ri-se muito, todos felizes demais. Mas sem legar nenhum fruto espiritual. A gente sai desses encontros com uma sensação de vazio, sem acrescentar nada, NA-DA. Antigamente conhecimento era transmitido por interações sociais. Isso é cada vez mais raro, ou só para poucos, o que é um dos conceitos mais imbecis do mundo moderno.

Obrigado aos meus bons amigos que me fazem querer saber mais.

Shakespeare, Macbeth. Act 5, Scene 5, 19-28

“Amanhã, e amanhã, e amanhã arrasta-se com passos insignificantes, dia após dia, até a última sílaba escrita pelo tempo. E todo nosso passado vem iluminando para os tolos o caminho para a morte poeirenta. Fora, fora lâmpada fugaz! A vida não passa de uma sombra vacilante – um mísero ator que se vangloria e se lamenta enquanto está no palco e depois não é mais escutado: é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, sem significado algum.”

Sullen mood, Dead bull

Como em turvas águas de enchente,
Me sinto a meio submergido
Entre destroços do presente
Divido, subdividido,
Onde rola, enorme, o boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Árvore da paisagem calma,
Convosco – altas tão marginais!
Fica a alma, a atônita alma,
Atônita para jamais.
Que o corpo, esse vai com o boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Boi morto, boi desconhecido,
Boi espantosamente, boi
Morto, sem forma ou sentido
Ou significado. O que foi
Ninguém sabe. Agora é boi morto,

Boi morto, boi morto, boi morto.

Manuel Bandeira

6 Years before the Common Era

Não é interessante que a Era Comum mesmo para ateus e gnósticos tenha começado com o nascimento de um tal profeta de nome Jesus? E não é mais interessante ainda que ele tenha nascido 6 anos antes do que damos por certo? Veja que abalo ao nosso sistema de crenças: o ano zero aconteceu no ano 6 a.C. Segundo essa nova perspectiva, eu nasci em 1967, mas supostamente devo continuar tendo a mesma idade, eu acho – matemática nunca foi o meu forte.

Só não sei agora (e isso me aflinge deveras) se a previsão do calendário Maia para a destruição definitiva do planeta continua valendo para o ano 2012…

Atop the Volcano

Ontem estava assistindo uma entrevista com a Rose Marie Muraro, pra quem não sabe, uma grande bruxa, ícone do movimento feminista no Brasil e alhures. Pois apesar disso e por isso, ela escreveu a deliciosa e feliz introdução ao Malleus Maleficarum, O Martelo das Bruxas, documento usado pelos loucos da “Santa” Inquisição para sair matando a mulherada por 400 anos. Quando Deus era feminino e o poder de decisão das tribos ancestrais estava nas mãos das mulheres, as comunidades eram pacíficas. O homem roubou a caciquia e trouxe guerra, competição e desentendimento. A tal ponto que eu concordo com ela, quando ela disse mais ou menos isso: ”estou triste, viver no mundo está cada vez pior; a gente mora em cima de um vulcão prestes a explodir”.

E não é?

Overture

Well, who said writing a blog on what goes about in one’s head was easy. My thoughts are filled with things I wish to share – for whatever exquisiteness or plain curiosity there is. That’s it.